Penso que logo serei rainha. Que coroada estarei pronta para conviver com meu ego. Que sentada no trono do planeta não verei nunca mais meu mundo de emoções. Que não precisarei mais de espelhos que de servos bajuladores. Que poderei conviver com a felicidade, mesmo esta sendo falsa de tão eterna que afirma ser. E que com ela não terei que exigir mais nada de mim.
Penso que, então, poderei me reinventar de lantejoulas e paêtes, já que à grande maioria não é visível outra coisa que matéria resplandescente. Penso que com brilho serei sempre lembrada por meus súditos. E que com súditos poderei ser ouvida e falarei o que quiser.
Penso que possa ser covarde demais para viver sem enredo. Mas que, ao menos, devo ser corajosa ao ponto de viver o drama que escolher para mim. Que a ambiciosa dramaturgia que me cerca não se encaixa no tipo de personagem que carrego. Penso que ainda tenho vergonha de ficar desnuda, mas nem por isso possuo esse desespero imposto e compartilhado de se cobrir da primeira carapaça manjada que aparecer.
Acho que tenho seguido conselhos egoístas demais e não quero ser coroada de espinhos por isso. Penso que não pensar no assunto também não me seria útil. Que governar minha própria pessoa já seria um passo importante a ser dado. E termino pensando em, um dia, não ter que conviver mais com esse tipo de pensamento.
Por: Camila Galvão (Verso e Avesso).




