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19 junho 2009
17 junho 2009
Cota na moda
Fonte: Folha Online
Os desfiles da temporada verão 2009/2010 da SPFW (São Paulo Fashion Week) que começam hoje, quarta-feira, dia 17, serão o palco de mais uma batalha contra a discrimação racial. Durante o evento, 10% dos modelos deverão ser negros, afrodescendentes ou indígenas, isto conforme o Termo de Ajustamento de Conduta acordado entre o Ministério Público e os organizadores da SPFW.
Isto se deu com base em um inquérito apresentado pelo jornal Folha de São Paulo, a qual constatou em janeiro de 2008, que dos 344 modelos que desfilaram naquela temporada, apenas oito (2,3% do total) eram negros.
Caso a quantidade de 10% por desfile não seja atingida, a organização da SPFW pode ser multada em R$ 250 mil. Até 30 dias após o fim da temporada, o evento terá de elaborar uma relação completa dos modelos que desfilaram, apontando o nome dos “que se inserem no critério”, como diz o TAC.
É possível justificar o descumprimento: o Ministério Público aceita, por exemplo, que a alguns temas de desfiles não cabe a participação de negros.
A diretora de casting Roberta Marzolla, responsável pela seleção de modelos de Alexandre Herchcovitch, André Lima, Ronaldo Fraga e Wilson Ranieri, acredita que a medida será respeitada. “Acho que as marcas vão cumprir a cota”, afirma.
O mais interessante foi ter colocado as indígenas dentro desta cota, será que vinga? Vamos ver. Naomi que se cuide!
COMPLEMENTO >> Podcast >> Modelo negra vai ganhar menos da metade do cachê médio da SPFW, diz agente
29 maio 2009
No limite da vaidade
Lá estava eu tomando meu café da tarde no domingo, com a TV ligada em algum canal aberto da rede televisiva brasileira (não é medo de identificar não, fiz a busca da reportagem nos sites do Fantástico e do Domingo Espetacular e não encontrei o conteúdo procurado). Então, começa uma entrevista sobre uma moça que tinha problemas de visão há anos e que usava sua lente de contato para correção, porém colorida, especificamente na cor verde.
A indivídua resolveu fazer a cirurgia corretiva e descobriu que existe uma nova técnica que colore os olhos com o implante de uma lente de silicone, no caso, esverdeada. Aquilo me deixou pasma, na reportagem o jornalista informou que isto é uma febre “estética” (caótica e horrível, achei que fica uó, bem artificial) ao redor do mundo, mas que no Brasil AINDA não foi liberada, IMAGINEM QUANDO ISSO VIRAR FEBRE POR AQUI, ai socorro! Mas e você? Sonha em ter olhos azuis ou verdes? Chegou a sua hora de brilhar!
Ainda no mesmo dia encontrei vídeos no YouTube que mostravam uma cirurgia que faz o implante de JÓIAS no olhos. Sim! Isso… No vídeo que acompanhei (com muito custo, porque aparece todo o procedimento cirúrgico), a mulherzinha acabou ficando com um coração de ouro branco no olho.
Afeeeee… Eu já tinha visto aquelas aberraçõezinhas, modernamente chamados de freaks (nada chics), com tatuagem nos olhos. Mas moçoilas princezéticas procurando “técnicas de beleza” deste nível foge da minha compreensão. Ain… To ovulando, como diz o Christian Pior.
Mais informações sobre:
IMPLANTES DE ÍRIS COLORIDAS ARTIFICIAIS
VÍDEO COM O IMPLANTE DE JÓIAS NOS OLHOS
10 maio 2009
Corpitcho enfaixado
Os “Bandage Dress” saíram dos anos 80 e viraram tendência de moda mais uma vez. Eles andam vestindo algumas celebridades mundo a fora nesta temporada. Os it-dress do momento são desenhados pelo estilista Hervé Lérger e são curtos e coladíssimos. Quadris largos: ESQUEÇAM O BANDAGE DRESS!
Como este modelo virou uma febre alucinada nos EUA, existem marcas mais populares que vendem o vestido por US$ 100,00. Já o original não sai por menos de US$ 1.400,00.
E aí? Será que vira febre no verão brasileiro 2010 também?
5 maio 2009
Dentro da fogueira por Camila Galvão
“Sou independente”. Ando ouvindo isso de muitas mulheres por aí. É a frase que ecoa entre as quatro paredes das reuniões de luluzinhas, lulus e luluzonas. Independentes. Como se isso fosse um título pós-moderno de situação legal.
- Você é casada ou solteira?
- Sou independente.
Independentes num novo sentido da palavra, creio eu. Independentes que tem cartões de crédito pagos por segundos, terceiros ou quartos. Independentes que não tem coragem de ligar ou conseguir um número de telefone quando o dono da conta é do sexo oposto. Independentes que esperam o homem dar o primeiro passo sempre. Como não? Pegaria mal puxar assunto com um desconhecido. Independentes que dependem da aprovação da moralidade machista brasileira para se sentirem seguras. Independentes que seguem padrões de comportamento impostos por alguns poucos homens e outras tantas mulheres achando que é um consenso geral. Independentes que não questionam. Independentes que não transam no primeiro encontro. Independentes que têm vergonha de comprar uma camisinha na farmácia. Independentes que deixam o namorado dirigir o próprio carro como se um bigode e uma barba transformasse qualquer ser humano em chofer.
Que independência é essa que em vez de libertar limita? Eu devo estar muito atrasada em relação a algumas posturas dentro dos relacionamentos atuais ou o significado da palavra ganhou mesmo um novo sentido prático que eu desconheço. Para mim, independência sempre foi poder fazer o quero na hora que quero, como quero e com quem eu quero. Com responsabilidade sobre meus atos e respeito pelos outros, claro. Mas essa nova independência eu não quero. Independência que quer ser, além de tudo, financeira. E nem financeira o é. Até porque no aspecto financeiro ainda dependemos de banco, de juros, do governo, de um emprego e de todo um sistema que insiste em nos excluir ao primeiro sinal de deslize ou descanso mental. Hoje, o que menos somos é independentes quando o assunto é dinheiro.
Então por que será que essas mulheres escolheram a palavra independente para se autodefinir? Por ignorância? Não creio. Talvez para convencerem a si mesmas que são tão modernas e bem resolvidas quanto o mundo cobra que sejam. E o mundo sempre cobrou muito das mulheres. Temos que ser bonitas, nos vestir bem, saber falar sobre tudo, saber se portar à mesa, sermos profissionais, sermos boas mães, filhas e avós, conseguirmos um trabalho rentável, saber gastar a renda provinda dele, sermos gentis e ao mesmo tempo assertivas. Temos que saber sambar dentro de uma caixinha de fósforos. Temos que ser cérebro, coração e corpo. Nesse processo infinito de humano-coisificação – inventado e mantido pela mídia – algumas mulheres se perdem delas mesmas e vagam por entre milhões de identidades, alheias ou imaginárias. Vagam até se convencer de que são qualquer outra coisa que não elas mesmas. Qualquer outra coisa que atraia um número maior de olhares cobiçosos e a luz fugaz de holofotes globais. Não, não quero olhares que me des-personificam. Não quero o pódio de chegada dessa corrida sem sentido. Não quero as luzes desse picadero medíocre.
Quero apenas ser o meio discreto por onde a vida nasce. Quero ser o olho de Deus na Terra. Quero ter meus milhares de sentidos e usar todos da maneira que bem entender. Quero receber o olhar profundo de quem vê através da coisa na qual tentam me transformar. Quero ter apenas minha própria luz de lampião, velho e carregado de vida. Quero, de vez em quando, poder me recusar a acender. Quero poder encontrar a solidão sem abandonar a confiança. Quero receber a negação dessa sociedade nada secreta de cabides sem perder minha auto-estima e a beleza inata que ela produz. Quero ser carne e não músculo. Quero ser leite e não silicone. Quero ser cérebro e não cabelo. E, acima de tudo, quero ser coração e entranhas e não uma emoção congelada na mais perfeita das molduras. Quero sangrar periodicamente como qualquer bicho fêmea. Não quero me negar o prazer de ser instinto num meio cada vez mais civilizadamente adestrado. Quero ser o coração e as entranhas do mundo real. Quero ser parte útil e essencial desse mundo que come, bebe, excreta, ama, goza e não morre nunca de tão vida que é. Quero, no bater de cada pulsação, mostrar às máquinas perfeitas do mundo humanizado que a desumanização do animal homem é extremamente necessária à manutenção da vida.
Quero ser independente de todas as independências criadas pelas mulheres pseudo-modernas. Quero ficar fora desse ritual cíclico de se auto-denominar qualquer coisa e adaptar os títulos recebidos a cada nova requisição do quarto poder. Se for para ser independente, o quero ser no sentido mais libertário e excludente que o termo pode ter. Excludente mesmo. Se o isolamento for necessário ao meu processo libertador, quero ser excluída sempre. De todos os não-lugares povoados de personagens humanos, de todas as rodinhas de fantoches povoadas de assunto nenhum, de tudo que me lembrar a luta intensa pela auto-limitação disfarçada. Quero poder queimar viva por isso um dia. E quero encontrar a fogueira cheia.






