Bom meninas, primeira vez que vou colocar um texto aqui.
Faz algum tempo tive vontade de escrever um livro, mas acho que só consegui fazer um texto… Um conto… Talvez uma piada.
Tenho um pouco de vergonha, porque quando leio acho idiota, às vezes acho legal, às vezes acho brega. É uma historia fictícia com toques de realidade. Haha…
Vamos lá, não sejam tão críticas… Haha…
O dia acabara de nascer. Uma primeira sensação pré-despertar agita suas pálpebras moribundas, preguiçosas elas resistem aos breves segundos em que esta sensação se manifesta e permanecem fechadas, lacradas, carregando o peso de evitar mais uma manhã que não queria ser vivida.
Como ela odiava as manhãs. Principalmente as dos dias quentes, manhãs claras frescas e limpas, manhãs que inspiram e enganam com a ilusão de um dia melhor, de um dia que realmente valesse a pena viver.
Suas pálpebras permanecem fechadas sua alma está entregue aos sonhos, sua consciência vive intensamente percorrendo ambientes nos quais o corpo jamais conseguirá alcançar. Por alguns instantes não duvida de sua própria existência, é como o vento.
Sente o calor do corpo deitado ao seu lado, ele a abraça por trás com força, com a mesma força do primeiro abraço, permaneceu assim a noite toda. O que estará ele sonhando? Será ele capaz de tal façanha?
Começa a despertar, seus braços entrelaçados ao corpo dela movimentam-se delicadamente, enche os pulmões de ar, quase como se saboreasse aquela manhã. Ah! se ele soubesse como ela odiava as manhãs jamais teria feito aquilo, teria permanecido imóvel mesmo depois de desperto, seria ele o próprio silêncio. Mas não, ele não sabia, assim como todos os outros ele não sabia.
Ela sente o braço que a envolve se mexer. Tem um breve despertar, apenas alguns milésimos de segundos consciente e é puxada de volta ao sono, como se sua alma relutasse para retomar a consciência deste corpo e se levantar para viver esta manhã. As pálpebras se fecham novamente ignorando o movimento dos braços que agora a abraçavam mais forte.
Nota-se no quarto, outrora escuro, alguns feixes de luz invadindo a escuridão pelas frestas da cortina. Malditas frestas. Alguns pássaros insistiam em cantar. Malditos pássaros.
O braço que a envolvia pela cintura se solta lentamente, a mão se aproxima do corpo com o toque suave dos dedos esboçando algum tipo de carinho. Os dedos correm pela cintura indo parar nas costas.
Ela começa então a despertar, o toque de seus dedos a trouxe dos sonhos, se ele soubesse o despertar maldesejado que seu carinho causou jamais teria ousado a tocar naquela manhã.
As pálpebras se abrem preguiçosas, o olhar permanece perdido por alguns segundos. Sabe que está desperta mas não se sente ali, não se sente em lugar algum, como se flutuasse sob o próprio corpo, duvida de sua existência, parece tudo tão falso.
Ela tenta se localizar no tempo olha para os feixes de luz que escapam pelas malditas frestas da cortina e conclui que deve ser muito muito cedo, um começo de manhã talvez. Os raios ainda estão fracos e a rua relativamente silenciosa.
Como um relâmpago lhe vem a lembrança da manhã anterior, todas as manhãs são tão iguais na sua essência maldita, lembra-se que possivelmente no mesmo horário na manhã passada estivera neste mesmo lugar, sob estes mesmos lençóis, envolvida em braços de outro. Pensa no porque é tão difícil para as pessoas acreditarem que ela se envolvia com eles sem expectativas, sem intenções ou vontade de se deixar conhecer. Ou melhor, as expectativas existiam, afinal de contas era mulher, existiam pelo menos por alguns minutos. Ela se decepcionava muito fácil, era quase como se conseguisse saber tudo de qualquer pessoa após uma conversa qualquer, ela prestava muita atenção em tudo. Logo que via que suas expectativas mais uma vez não seriam correspondidas desistia de tudo, só precisava sugar um pouco daquele corpo e depois o descartaria simpaticamente. Ela só queria aquele momento, não conseguia sequer vislumbrar o que se passaria no dia seguinte e no outro e no outro. De certa forma ela não se importava, não porque não quisesse apenas, mas sim porque parecia tudo uma grande farsa, uma grande piada, realmente ela acreditava que alguém estava se divertindo com tudo aquilo, as vezes ela conseguia até escutar as risadas.
O corpo ao seu lado se move novamente, as mãos na tentativa de um carinho que não seria correspondido, não naquela hora do dia. Tiram-na de seus pensamentos e trazem de volta a realidade.
Esta mão a despertara pela segunda vez esta manhã, isto estava indo longe demais.
O rapaz da manhã anterior, o rapaz desta manhã, ela queria entender, queria que as pessoas fossem mais claras e diretas pois ela era assim, talvez racional demais para sua idade, que não fazia jogos pois não acreditava muito no futuro, não tinha motivação. Jogos, o grande trunfo das mulheres. A sordidez feminina que os homens tanto procuram para satisfazer suas vontades mais narcisistas. Ela era diferente.
Talvez seja o que a faça sentir um pouco perdida. Quando eles diziam gostar dela é fato que pouco tempo depois seriam gentilmente abandonados sem nenhum remorso da parte dela ou preocupação em oferecer uma desculpa convincente. Se eles diziam que tinham medo de se envolver ou que não a queriam magoar ela sentia aquele desprezo que queimava entre suas entranhas. O que eles estavam pensando? a estavam subestimando e isto era imperdoável. Malditos todos os que um dia pensaram que ela estava pronta para se derreter de amores pelo primeiro corpo que a oferecesse um pouco de afeto. Ela tinha pena deles, e este sentimento era para ela o pior de todos, o mais desprezível.
As vezes se sentia como uma vampira que sugava um pouco de vida dos corpos e os deixava ir embora dignos de pena.
Outras vezes se sentia como um fantasma que não pertence a lugar nenhum. Um fantasma que nunca teve uma vida, nasceu sob a condição de fantasma e pode apenas vagar observando a vida que nasce e morre, a vida que nunca poderá ter. Uma criação do nada. Apenas um fantasma vestido com um sobretudo para esconder o pijama indo até a banca para comprar cigarros.
Como de súbito ela percebe que nenhum braço a envolve. Esta na cama sozinha, o vazio ao seu lado ainda guarda um pouco do calor do corpo dele. Escuta um barulho de descarga, ele sai do banheiro e vem em sua direção com aquele ar de macho-alfa que ela tanto odiava. Trocam algumas palavras, ela mal se meche, ele lhe dá um beijo de macho-alfa e vai embora com aquele maldito peito estufado.
Ela espera até que o silêncio venha e devore aquela presença indesejada. A porta bate. Ele foi embora, finalmente. Agora é só ela, o silêncio e os feixes de luz. Levanta-se, vai até a porta e a tranca. O esforço de se levantar é compensado pela sensação de isolamento, ninguém para incomodar.
Volta para a cama, olhar de morto fixo no teto acima de sua cabeça, não consegue pensar, não, não pensaria mais nada. Aquela manhã já havia durado demais, sente um conforto: está sozinha, toda a cama só para ela. Aos poucos adormece poupando vivenciar o que sobrou daquela manhã.
Costumava trocar o dia pela noite. Seus sonhos a perturbavam eram muito reais, muito intensos, um mesmo sonho podia durar dias.
Após algumas muitas horas de sono e sonhos, seu corpo já estava doendo de tanto ficar deitado, algumas vezes ela ignorava esta dor e continuava dormindo outras vezes acordava com braços e pernas amortecidos, mas neste dia a dor fez com que ela se levantasse.
De onde as pessoas tiram forças para ter força de vontade? Será a força de vontade um fator genético ou alguma espécie de intervenção divina ???