leitmotiv
Agência Aorta
<< carow.com.br

18 junho 2009

Jornalismo fantasma

A última do STF (Supremo Tribunal Federal) ontem à noite, dia 17,  foi como uma porrada na cara dos jornalistas, categoria de profissionais a qual atuo desde 2003, quando comecei meu curso de Jornalismo na PUCPR.

A Justiça brasileira optou por votar (oito votos a um) contra a obrigatoriedade do diploma em curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Para o STF a formação específica em curso deve ser dispensada para a garantia do exercício pleno das liberdades de expressão e informação. Trocando em miúdos: para ser jornalista agora basta saber escrever e sair publicando onde der. (O que também já diminui em muito as possibilidades de intervenção no jornalismo pelos cidadãos brasileiros – talvez daqui uns cinco anos os analfabetos também sejam protegidos pelo STF, a fim de se tornarem jornalistas aptos).

Porque chegaram até isso, e quais são seus argumentos? Ain… Dói… Mas vamos lá… 1) A salvaguarda da sociedade é não restringir nada… 2) Atividade jornalística é o mesmo que “intimidade com as palavras”… 3) Em outros países o jornalismo funciona bem sem exigência do diploma (onde? na China?, ah não, é que “nóis” é chique e desenvolvido como os europeus)… 4) Isso evita os obstáculos à livre expressão garantida pela Constituição Federal… 5) E a balela continua por aí…

O presidente do STF, Gilmar Mendes, completou ainda dizendo que “quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão”.

Já tive algumas experiências no ramo, e é fato que muitos jornalistas atuam em redações sem terem cursado a graduação em Jornalismo, sendo assim este julgamento feito pelo STF só viria a espelhar a realidade. Por outro lado, sabe-se que muitos autores e pensadores deste século consideram a imprensa/mídia como um dos poderes centrais da humanidade.

Me atrái a hipótese de que no Brasil os três poderes (judiciário, legislativo e executivo) foram substituídos por: 1°) Poder Econômico; 2º) Poder Midiático; 3º) Poder Político, e ainda: o Poder Político não teria autonomia e sim seguiria decisões feitas primeiramente pelo Poder Econômico e aprovadas pelo Poder Midiático, para então poder atuar.

Com isso, para mim, fica difícil encarar esta declaração de Gilmar Mendes: “a profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade”… Talvez se alguém da Justiça tivesse cursado Jornalismo, saberia das Teorias da Comunicação… Hipótese do Agendamento… Enfim, acho BEM perigoso colocar a atividade jornalística na mão de qualquer cidadão, até porque todos sabemos que somos regidos pelo Poder Econômico, e não pela liberdade de idéias e expressão.

Mendes ainda chegou, em seu discurso, a comparar jornalistas com cozinheiros. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, disse. VALHA ME DEUS!

Uma liminar do STF já garantia, desde novembro de 2006, o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área de jornalismo. Uma coisa é permitir que cidadãos sem formação exercem a atividade jornalística, outra coisa é tornar INCONSTITUCIONAL a obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Garibando algums opiniões no Twitter (www.twitter.com/carow85), encontrei uma, postada por Adriano Pinheiro (@dricopinheiro), que para mim resumiu bem: “a capacidade pra atuar em determinada área com sucesso envolve mais que um diploma, mas anular a importância desvaloriza a categoria”.

Eu poderia ficar escrevendo, escrevendo e escrevendo, mas resolvo parar por aqui. Um ótimo dia para os não-jornalistas!

ba16641


 

24 abril 2009

O Fellipe tinha razão

joaquim-barbosa-gilmar-mend

Não se fala em outra coisa na mídia a não ser sobre a discussão entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa

Pois bem, como o costumeiro, ouvia a rádio BandNews pela manhã que, já tendo esgotado o bla bla bla hipócrita sobre a chamada “farra das passagens aéreas”, estava sem assunto no noticiário do Paraná e resolveu meter o bedelho no assunto nacional – o tal quebra pau.

Eis que a âncora começa a discorrer sobre os belos atos do então chamado primeiro ministro negro do STF, que ele é uma coisa linda DI Deus, arrematando, a âncora diz: “Se vocês querem saber a minha opinião (pq diabos alguém foi perguntar a opinião dela?), eu penso que, enquanto houver homens como Joaquim Barbosa no STF, podemos ficar traquilos”, conclui a especialista em direito.

Mas, PORRA! Será que alguém conseguiu prestar atenção não nos “me respeite que eu não sou seu capanga”, mas no que disse Gilmar Mendes a respeito da postura da excelência J.B (para os íntimos), que o cara não esteve presente no dia da tal discussão inicial?! Que o cara nem sabia o que havia sido discutido?

Sempre admirei o Joaquim Barbosa, não por uma mente brilhante, mas pela coragem naquele caso do mensalão.

Ok, ok, admito que quando vi pela primeira vez a briga, vibrei com o arranca-rabo tão elegantemente defendido pelas partes. Afinal não é todo dia que assistimos ofensas e esbravejadas tão distintas. Foi o máximo “vossa excelência me respeite/ me respeite a vossa excelência, que não não caminha nas ruas, como eu”, hahaha! ótemo!

E foi quando eu já estava gritando “Go Joaquim!” na sala da casa do Fellipe (sr. meu marido que, por acaso, é um estudioso das ciências jurídicas) é que recebi argumentos contra. “Esse Joaquim é uma anta. Detesto ele”. E eu, inspirada pelo próprio J.B, já me preparava para defendê-lo com alguns ME RESPEITE! optei pelo benefício da dúvida e então pude entender melhor. E não é que, pela primeira vez, o Fellipe disse algumas verdades? Vamos ver se consigo convencê-los tâmein: O Gilmar Mendes é jurista respeitado, tem trabalhos e biografia muito mais extensa do que o J.B. Para provar isso, recorri ao nosso útil mas nem tanto Wikipédia (Gilmarzinho & J.B). Fora isso, como uma convenção da sociedade humana da Terra no mundo, quase todas as instituições tem (nova gramática) uma hierarquia. No STF não é diferente: lá foi instituido que o presidente de 2008 a 2010 seria Gilmar Mendes, certo? Certo. E quando, na sua vida, por mais abalizado que seja um profissional e democrática a instituição você trata seu “chefe” do jeito que J.B tratou Gilmarzinho? NA NA NI NA NÃO…Falta de respeito, de subordinação e, sabendo que a discussão estava sendo filmada e transmitida, até de ética, isso sim.

Bem, acabou que J.B está de licensa (lá vai ele voltar e fazer escarcéu em outro caso, esse Joquim não toma jeito mesmo) e eles só devem se encontrar em 15 dias. Acabou também que, dos 11 ministros, 8 assinaram uma nota de apoio aos presidente do STF – só não assinaram os dois e a Ellen Gracie, que está viajando, pode ser puxa-saquismo, mas é puxa-saquismo público, o que diz muito…

Já vimos tanto essa história de fazer de alguém de que tem opinião contra todo o resto herói e nunca aprendemos. O que me parece é que é mais um daqueles casos em que o senso comum ficou bonitinho de roupa nova e o povo engole tudo de novo. As palavras bonitas como “faça o que eu faço e saia às ruas, ministro Gilmar” soam tão bem e são tão exatamente o que a gente quer escutar, que fica fácil bater.

Daí, hoje no Jornal Nacional - também por falta de assunto –  ocuparam-se de repercutir a discussão. E foram perguntar pra quem? Pro Lulaaaa! Como sempre, ele disse um monte de coisa, sem dizer nada. E, mais um vez o Fellipe tinha razão: “Ele tá falando isso porque não deve ter entendido patavina da discussão”.

… qua qua qua.

P.S: pra quem ficou com preguiça de ler as biografias, o J.B não é o primeiro ministro negro do STF, mas o terceiro.


Filed under: Cultura,Outros — Tags:, , , — Juliana Hasse @ 0:53